Tirantes em paredes diafragma

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Tirantes em paredes diafragma

Tirantes em paredes diafragma.
Edição 62

Os tirantes são barras metálicas, de formato tubular, com Ø 10 a 15 cm introduzidas nas paredes-diafragma após execução de perfurações diamantadas com o objetivo de suportar essa estrutura, executada antes do início da construção de um subsolo. As paredes circundam a área a ser construída e têm como função evitar deslizamentos de terra e desmoronamentos de obras vizinhas. A incidência é de um tirante a cada 7,50 ou 9 m2 de parede e a perfuração varia entre 12 e 20 m no terreno vizinho. Ao mesmo tempo em que o tirante é instalado no furo acontece o preenchimento com a calda de cimento sob alta pressão. Conforme vão sendo construídas as lajes do subsolo, os tirantes são desativados, pois não têm mais função já que o suporte da parede-diafragma é feito pelas lajes.

O tirante fica ativo em uma obra durante alguns meses, de dois a seis, dependendo do andamento da construção e do número de subsolos. O primeiro passo é uma perfuração pouco inclinada, revestida com tubulação de aço evitando que o furo desmorone à medida que o solo vai sendo retirado internamente por sopro de ar ou fluxo de água. Essa perfuração acontece atrás da parede e tem comprimento que varia de 12 a 20 m. O mais comum é que seja ligeiramente descendente, em geral com ângulo de 15 graus com a horizontal, o que faz com que a perfuração se desvie dos alicerces das casas existentes.

Em seguida, depois de atingido o comprimento de projeto, a armação de aço do tirante é descida e é injetada a calda líquida de cimento à medida que se vai retirando a tubulação de aço do revestimento. Como consequência, não ocorrem espaços vazios no maciço de terra.

Por meio de um sistema especial, a injeção de cimento é repetida uma ou mais vezes, o que aumenta a capacidade de carga de cada tirante sem afetar as condições dos vizinhos, já que essa injeção é localizada e ocorre junto ao tirante, em geral com um alcance inferior a 1 m.

Quando o cimento seca, tensiona-se o tirante enterrado contra a parede em um processo chamado de protensão, propiciado por um macaco hidráulico que reage contra a parede-diafragma. Sendo assim, o tirante consiste em um tendão protendido entre a parede e seu comprimento de ancoragem que se localiza no terreno atrás da parede. Parte dessa protensão permanece durante toda a execução do subsolo, o que evita a tendência à deformabilidade lateral da parede. A protensão permite também assegurar se cada tirante está apto a resistir à carga de tração de projeto. Normalmente uma parede é suportada por vários tirantes, cada um deles testado.

O tirante deve ser suficientemente longo para garantir a estabilidade do vizinho. Para assegurar que o tirante seja ancorado em terreno firme, o tendão entre a ancoragem e a cabeça deve ser livre de atrito, o que é conseguido fazendo esse tendão deslizar por dentro de uma mangueira que o isola do solo circundante.

Após o término da parede atirantada e da escavação interna, constrói-se de baixo para cima o subsolo e o corpo do edifício. À medida que são construídas as lajes da garagem, o suporte da parede-diafragma passa a ser feito pelas próprias lajes e os tirantes perdem sua função e são desativados.

Fonte: Parecer Técnico Tirantes em Áreas Urbanas, Instituto de Engenharia.

Reportagem de Aline Alves
Construção Mercado 62

2016-10-31T02:09:35+00:00

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